O Brasil Não Está Preparado

O Brasil Não Está Preparado

Face ao envelhecimento populacional, Estado precisa atuar na prevenção de doenças e pela qualidade de vida dos idosos de hoje e de amanhã.

Segunda-feira 18 de Fevereiro de 2008

Jornal de Jundiaí

Agência Brasil

O Brasil não está preparado para enfrentar os desafios na área da saúde impostos pelo crescente envelhecimento da população. A opinião é do professor Leandro Fraga, da Faculdade de Economia da USP.

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Violência, maus tratos, abuso e assédio no curso de vida e na velhice

Crônica

Violência, maus tratos, abuso e assédio no curso de vida e na velhice

 

Elisandra Villela Gasparetto Sé

 

Falar desse assunto é bastante triste e doloroso, pois se trata das atitudes mais racionais e instintivas do ser humano, eu diria dos “animais sociais” denominados homens pelos filósofos. Não é só a violência da cidade que nos assusta, são também ações torpes de toda natureza que se caracterizam como sendo desrespeito, abuso, negligência, privação, violação, discriminação, assédio, injustiças, etc… que nos faz pensar sobre que tipo de cidadania buscamos no decorrer da existência.
Se buscarmos a dimensão dessas ações somados ao longo da vida poderia listar uma série de ações e situações que enquadra qualquer pessoa na condição de fragilidade, sem contar as que já nascem numa condição de fragilidade. Quem não se lembra da menina que foi achada num saco de lixo na Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte, dos bebês que receberam dose de morfina por uma enfermeira em uma UTI Neo-natal e recentemente um menino que foi encontrado numa caixa no lixo. Devemos perguntar como e quem será essa pessoa? Pessoas com personalidades frágeis que serão mais uma vez vítimas de mais e mais violência ou que irão reproduzir nos outros as agressões sofridas, ou os dois. A fragilidade muitas vezes fortalece o ser humano.
Também é possível sofrer abuso sem perceber por não compartilhar de uma idéia sócio-psico-culturalmente construída de abuso. A vida é pautada por diversas formas de interações humanas, de entrelaçamento de vivências de emoções positivas e negativas que acabamos por enterrar no nosso inconsciente as dores, sofrimentos misturados com amor, sonhos, ideais, liberdade, felicidade. Por isso o ser humano se tornou um ser confuso, contraditório, paradoxal, ambíguo, não se sabe expressar as emoções, trabalhar os relacionamentos, dialogar, acariciar, confortar. Não se divide as emoções, a individualidade prevalece se tornando medievais no trato com os outros. Os conceitos de amor, respeito, caridade, fraternidade e felicidade ganha força no inconsciente coletivo típicos do tempo da inquisição.
E qual o contexto da violência, do abuso, dos maus tratos? É o contexto das interações humanas. Se discorrer sobre essas ações de maus tratos e de abuso que uma pessoa idosa pode sofrer é possível enumerar outras situações que a pessoa pode ter sofrido até chegar a velhice. Existem situações que podem ocorrer com o ser humano ao longo da vida até tratarmos da violência contra os idosos que vai desde o castigo injusto na escola ou em casa, daquele que apanhou no lugar de um irmão, dos deboches sofridos na escola, de todo tipo de perversidade sofrido na infância e na adolescência, do abuso sexual sofrido por padrasto, tio ou vizinho, mulheres que apanharam do marido, as ações de má fé, assédio moral no trabalho, aturar um autoritarismo, ações coercitivas, violação de seus pertences, abuso financeiro, ter que fazer escolhas sobre ameaças, sofrer preconceitos, estigmas e discriminação das gerações mais novas, todos os tipos de agressões físicas e mentais, até chegar o momento de enfim aposentar-se e a pessoa poderá se adoentar e sofrer com o abandono, com a solidão e com a negligência de filhos e parentes, até agressões físicas em casa ou em instituições.
O que dizer de democracia e cidadania? Como reconhecer nossos co-específicos, seres da mesma espécie que você, com pensamentos e sentimentos iguais aos seus, ter a identificação, o entendimento, a empatia, a compreensão? Como é ou como seria estar na pele mental de uma outra pessoa? Já dizia Caetano Veloso “O bem é mau e o mau é cruel”. Precisa-se de um estoque de plasticidade comportamental e emocional ao longo da vida. Pensar nessas questões faz grande diferença em todas nossas situações em que atuamos na vida, no âmbito da família, trabalho, lazer, etc…. Isto é, nas formas de institucionalizações da vida, porque tal pensamento tem influenciado cada vez mais o comportamento humano e descaracterizado a essência do ser humano que seria pra “ser humano”. Daí a democracia que é um valor universal, é interpretada de acordo com visões políticas e culturais. Tudo depende da face que se olha, “ouça-se também a outra parte”.
Para reagir contra ao estigma e à discriminação dos idosos, por exemplo, é necessária uma abordagem em diversos níveis, abrangendo a educação dos profissionais e trabalhadores em saúde, a provisão de serviços adequados para a assistência de pessoas idosas na comunidade e a implementação de leis para proteção dos direitos dos idosos.
No contexto do cuidado não ocorre de forma diferente de outros contextos do nosso cotidiano atual. A correria do dia-a-dia, as mudanças constantes de paradigma, a corrida atrás do emprego, do salário, a competição no trabalho, as inúmeras tarefas da vida agitada e as complexas relações de prazer, forçaram o ser humano a ser prático, racional, predominar os instintos e ao mesmo tempo precisar ser politicamente correto e não politicamente saudável, num contexto onde a dor se dissolve, tudo se apaga, deleta-se, os assuntos ficam inacabados e enterrados no fundo do mar do nosso inconsciente. Mas que ao mesmo tempo é muito perigoso. Por isso assistimos cada vez mais o processo de involução da sociedade caracterizado pela hostilidade, assédio moral, perseguição, violência física e mental, maus tratos, abusos de todo tipo e a toda faixa etária, não só contra idosos, mas que na velhice se acentua. Na verdade as pessoas estão cultivando hábitos que escondem suas frustrações. Quanto à vítima, ela segue anestesiando dores, mas jamais esquece a agressão sofrida. Para essas pessoas a felicidade é ilusão e a gente canta “espera que o sol já vem…”
De acordo com a definição de abuso “O abuso ao idoso é uma única ou repetida ação, ou a falta apropriada de ação, ocorrida dentro de qualquer tipo de relacionamento, onde há a expectativa de confiança ou dependência, gerando danos, angústia, ofensa, perigo ou miséria ao idoso” (Action on Elder Abuse, 1995). É importante ressaltar que as interações humanas não são como equação matemática, é fruto de vínculos estabelecidos com afeto, significados, simbolismo, dedicação, diálogo, entendimento e não existem cuidados prestados baseado em ameaças, negligência e maus tratos, em desinteresse. O amor não é um método ou uma ciência, é um pré-requisito para se fazer tudo na vida, é o que dá sentido a vida e muitas vezes o que falta é um pouco de boa vontade. Parafraseando mais uma vez Renato Russo “…tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar, tem gente enganado a gente, veja nossa vida como está…”
Outra questão é quem assiste a violência, os maus tratos, o abuso e a negligência. Como fica a denúncia? A linguagem, a fala é uma ação que tende sempre a modificar um estado de coisas. Alguns casos precisam chegar mesmo no limite para serem reconhecidos e denunciados. Precisa-se que na mídia televisiva ou na internet mostre a hostilidade feita a uma moça por usar um vestido para sensibilizar os demais. De fato, poucas pessoas admitiriam que todas as questões pudessem ser postas em discussão. Por isso, viver é se espantar. Aristóteles considera que:

 

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A plenitude de um Gerontólogo

A plenitude de um Gerontólogo

 

Elisandra Villela Gasparetto Sé

 

Para uma pessoa trabalhar com os idosos, a velhice e o  envelhecimento, ela não pode ser um ser humano comum, não que  necessite ser excepcional, mas precisa ser um ser humano pleno em  sua formação, em seu jeito de ser, em seu modo de pensar, sentir,  agir e no modo de ver a Vida em várias dimensões. Portanto, para  trabalhar com os idosos, além de ser o “profissional do currículo”  tem que ser uma pessoa que reúna algumas características ou qualidades que irão lhe fazer um profissional pleno.

O verdadeiro Gerontólogo precisa da Ciência do Envelhecimento, a essência do conhecimento sobre a velhice, os subsídios teóricos e metodológicos do campo do envelhecimento.

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Poesia: “Nós e o tempo”

Poesia: “Nós e o tempo”

 

Elisandra Villela Gasparetto Sé

 

O tempo é infinito
E somos um recorte do tempo
São ciclos que se fecham para darmos passos acima
Sabemos o que somos e o que queremos dentro desse infinito
Estágios de uma continuidade que tem uma sutileza
Que só percebemos quando periodizamos.

 

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Exercitando a mente através da arte

Exercitando a mente através da arte

 

Elisandra Villela Gasparetto Sé

 

A arte é uma forma de linguagem, portanto também uma forma de expressão do ser humano. A arte embeleza a vida e possibilita o ser humano a ser versátil e a ter criatividade. A arte é fonte de alegria, quantas vezes não ouvimos pessoas que escrevem poesias dizerem que o coração fica mais gostoso quando expressa algo através da literatura ou por outra forma de arte como a música por exemplo. É que pensar, agir, perceber e sentir estão juntos em todas as situações da vida. A Arte é definida como sendo o belo, o verdadeiro, o bem.

Buscar qualidade de vida e satisfação também é buscar o belo, despertar para a sensibilidade, perceber o que está ao seu redor, não apenas a utilidade dos objetos, mas perceber tudo que existe no mundo de forma material ou natural enxergando a beleza, estética das formas e das estruturas. É preciso perceber o mundo como uma paisagem viva. Só assim os estímulos que estamos expostos nos tornam significativos.
As artes permitem o desenvolvimento e manutenção da mente ativa, estimulando a capacidade abstrata sem fronteiras precisas, sem classificações rígidas, porque a arte transcende a esfera material, a representação. As manifestações artísticas é resultado de alto nível de criatividade, de idéias originais. Com o processo de envelhecimento mesmo com mudanças biológicas não é verdade que os sentidos se embotam, enquanto houver boa saúde e mente estimulada é possível submetê-los a exercício. Para o exercício de uma arte, como para toda destreza corporal de maneira geral é preciso experimentar sensações no conjunto do corpo. A arte nos dá a possibilidade de concretizar a imaginação e aumentar assim a compreensão daquilo que se exercita, estimulando funções cognitivas e criando conceitos importantes na mente, além de fazer brotar sentimentos de alegria. A arte nos permite experimentar sensações agradáveis.

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Aprender sempre

Aprender sempre

Elisandra Villela Gasparetto Sé

Sempre é tempo de aprender coisas novas, mesmo com o avanço da idade é possível obter satisfação no trabalho, aprimorando suas capacidades e definindo metas. Sempre há tempo de romper com a solidão, com o isolamento e tronar-se um novo profissional, um novo estudante, se engajar em novas atividades, etc…

Com os avanços da informática, com as oportunidades que se ampliam, e a nova imagem dos idosos que vem se construindo na nossa sociedade é possível que as pessoas mesmo aposentadas encontrem um novo caminho para aprender sempre.

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A importância da boa comunicação para o relacionamento com o idoso

A importância da boa comunicação para o relacionamento com o idoso

 

Elisandra Villela Gasparetto Sé

 

Ao nascer, já somos mergulhados num mundo social, numa linguagem. Ganhamos um nome, um registro, uma língua que nos constitui, com a linguagem temos a noção de pertencimento, é ela que nos possibilita participar ativamente da sociedade. Através da linguagem aprendemos comportamentos, regras de convívio, expectativas, adequações de comportamentos, competências, opiniões, valores.

O homem controla o mundo com a linguagem, o fato de lidar com signos lingüísticos, o que nos diferencia de outras espécies, porque somos seres simbólicos, é com a linguagem que construímos a nossa identidade, o conhecimento a cerca de si mesmo e dos outros, ela permite não só estabelecer os contatos sociais, mas também selecionar aqueles que são significativos, garantir as experiências emocionais positivas. A possibilidade de se estabelecer relacionamentos produtivos, manter e negociar a identidade social e, em última instância, determinar rumos da própria vida está intimamente relacionada à habilidade de se comunicar.

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Entrevista com o Geriatra Dr. Martinelli

Entrevista com especialista Dr. José Eduardo Martinelli ao Jornal de Jundiaí, falando sobre a Doença de Alzheimer, publicada no dia 21 de setembro de 2006.

JJ. Esta doença há sintomas?

Dr. Martinelli: Os primeiros sintomas da Doença de Alzheimer é o comprometimento da memória para fatos recentes. A pessoa começa esquecendo onde guarda seus pertences, o nome de pessoas próximas, recados e compromissos. A memória remota não é afetada no início da doença, o que faz com que os familiares não se dêem conta do problema que já está em andamento.
Existe uma crença entre as pessoas que é normal o esquecimento quando se fica mais velho. Crença essa que atrasa a procura por um médico. A pessoa também passa a contar fatos do passado com detalhes como se estivessem acontecendo, faz com que os familiares não interpretem esses sintomas como sendo da doença e até acham que a memória do idoso está ótima pela riqueza de detalhes com que fala de fatos ocorridos quando tinha 6, 7 ou 10 anos de idade. O que chama a atenção sobre a doença é quando ao esquecer onde guardou o dinheiro do pagamento, começa a acusar uma pessoa da família (nora, filho, empregada, etc.) que o estão roubando e por se tornarem repetitivos contando a mesma estória várias vezes ou perguntando por um fato outras tantas.

JJ. Como os familiares devem proceder quando se descobre que algum parente está com a Doença de Alzheimer?

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