Células Tronco

CÉLULAS-TRONCO

Utilizadas há décadas no transplante de medula óssea, atualmente as células-tronco são vistas como possível solução para diversas doenças, como por exemplo leucemia, Parkinson e Alzheimer.
Cientistas de todo o planeta procuram descobrir o real poder de cura ou regeneração de órgão e tecidos através destas células..

DEFINIÇÃO

Células-tronco (CT) são células capazes de multiplicar-se e diferenciar-se nos mais variados tecidos do corpo humano (sangue, ossos, nervos, músculos, etc.). Sua utilização para fins terapêuticos pode representar talvez a única esperança para o tratamento de inúmeras doenças ou para pacientes que sofreram lesões incapacitantes da medula espinhal que impedem seus movimentos. As células-tronco são divididas em:

– Totipotentes, aquelas células que são capazes de se diferenciar em todos os 216 tecidos que formam o corpo humano, incluindo a placenta e anexos embrionários. As células totipotentes são encontradas nos embriões nas primeiras fases de divisão, isto é, quando o embrião tem até 16 – 32 células, que corresponde a 3 ou 4 dias de vida;

– Pluripotentes ou multipotentes, aquelas células capazes de diferenciar-se em quase todos os tecidos humanos, excluindo a placenta e anexos embrionários, ou seja, a partir de 32 – 64 células, aproximadamente a partir do 5º dia de vida, fase considerada de blastocisto. As células internas do blastocisto são pluripotentes enquanto as células da membrana externa destinam-se a produção da placenta e as membranas embrionárias;

– Oligotentes, aquelas células que se diferenciam em poucos tecidos;

– Unipotentes, aquelas células que se diferenciam em um único tecido.

Constitui um mistério para os cientistas a ordem ou comando que determina no embrião humano que uma célula-tronco pluripotente se diferencie em determinado tecido específico, como fígado, osso, sangue etc. Porém em laboratório, existem substâncias ou fatores de diferenciação que, quando colocados em culturas de células-tronco in vitro, determinam que elas diferenciem-se no tecido esperado. Um estudo está sendo desenvolvido pela USP para averiguar o resultado do contato de uma célula-tronco com um tecido diferenciado, cujo objetivo é observar se a célula-tronco irá transformar-se no mesmo tecido com que está tendo contato. As células-tronco da pesquisa foram retiradas de cordão umbilical.

Quanto a sua natureza, podem ser:

CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

As CT Embrionárias, como o próprio nome sugere, são provenientes de embriões. Pesquisas com CT, porém, estão cerceadas pela desinformação ou por certas posições religiosas que vêem nelas um atentado contra a vida em vez de um recurso terapêutico que possibilitará salvar muitas vidas.
Para se utilizar esse tipo de CT, é preciso interromper o desenvolvimento do embrião e colhê-la até a divisão em 64 células. Indicam as pesquisas, ainda em andamento, que até 14 dias depois da fecundação, as células embrionárias seriam capazes de diferenciar-se em quase todos os tecidos humanos. Depois disso, começam a dar origem a determinados tecidos.

As Células-tronco embrionárias são derivadas da parte de um embrião muito novo que daria origem ao corpo inteiro. Como essas células se originam nesse estágio primordial, retêm sua capacidade “pluripotente” de se transformar em qualquer tipo de célula.

Menos de uma semana após a fertilização do óvulo, o embrião em desenvolvimento contém entre 100 e 150 células. O embrião é uma esfera oca chamada blastocisto, que consiste em uma massa celular exteriro, que em uma gravidez formaria a parte da placenta, e uma massa inferior que se transformaria em feto. Dentro do útero essa células continuariam a se multiplicar, começando a se especializar por volta da 3ª semana. O embrião, nesse ponto chamado de gástrula, teria 3 camadas germinativas diferentes, cujos descendentes formariam mais pra frente centenas de tipos de tecidos diferentes.

CÉLUAS-TRONCO ADULTAS

Todos nós conservamos células-tronco na medula óssea. Porém, elas não têm a capacidade de se diferenciar em todos os tecidos do nosso corpo. Também existem no cordão umbilical, mas já são células-tronco adultas que não conservam a capacidade das células embrionárias.

O LADO MALIGNO DAS CÉLULAS-TRONCO

Células-tronco embrionárias e células cancerosas compartilham um incrível capacidade de auto-renovação: as primeiras de forma controlada, capaz de garantir a reposição e manutenção de tecidos sadios, as últimas de forma descontrolada. Essa semelhança chamou a atenção dos pesquisadores.
Foi comprovado que, em alguns tumores, apenas uma entre cada 5 mil a 10 mil células é uma célula-tronco de câncer, mas apenas uma basta para garantir sua proliferação.
É importante ressaltar que a associação entre câncer e células-tronco não significa que elas sejam perigosas, apenas é necessário aprender a controlá-las e identificá-las.

Revista Sientific American