Comprometimento Cognitivo Leve

Comprometimento Cognitivo Leve

O Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) ou Declínio Cognitivo Leve (DCL):

1. comprometimento da memória, preferentemente confirmado por algum informante e pela testagem cognitiva, estando o desempenho nos teste pelo menos 1,5 desvio padrão abaixo da média do grupo controle pareado por idade e nível educacional, e apresentando escore 0,5 na Escala CDR;
2. preservação das demais funções cognitivas;
3. desempenho independente nas atividades da vida diária;
4. ausência de síndrome demencial.

O CCL tem sido considerado um estágio transicional entre envelhecimento normal e demência.
- de 10 a 15%: DA. Em comparação com idosos normais (sem DCL).

Um grupo de pesquisadores da Suécia têm ressaltado o fato de que as queixas de memória desses pacientes freqüentemente associam-se a declínio de outras funções cognitivas como linguagem e orientação, e por isso têm adotado um critério mais abrangente de diagnóstico de CCL:
1. queixa subjetiva de memória;
2. sinais objetivos de declínio em qualquer domínio cognitivo (1,5 desvio padrão abaixo da média obtida pelos controles de mesma faixa etária);
3. atividades da vida diária intacta;
4. não preenchimento dos critérios DSM-IV ou CID-10

Com os avanços das pesquisas em CCL, o grupo de pesquisadores suecos passou a admitir que existem vários subtipos de CCl:
1. CCL amnésico;
2. CCL de múltiplos domínios (linguagem, funções executivas, e destrezas visuoespaciais), ou sem alteração de memória;
3. CCl de um único domínio que não a memória (por exemplo, da linguagem, ou das funções executivas, ou das habilidades visuoespaciais).

Critérios gerais para o diagnóstico de CCL:

1. o indivíduo não está normal, mas não preenche os critérios DSM-IV ou CID-10 de demência;
2. o indivíduo deve ter evidência de declínio cognitivo conforme avaliado pelo próprio sujeito e/ou por algum informante, além de déficits demonstrados objetivamente em testes cognitivos; e/ou evidência de declínio em testes neuropsicológicos objetivos ao longo do tempo;
3. as atividades básicas da vida cotidiana estão preservadas e as funções instrumentais complexas estão intactas ou minimamente comprometidas.

De acordo com o consenso internacional, o processo diagnóstico de CCL (mil cognitive impairment) deve comprometer os seguintes passos:

1. o ponto de partida é a queixa do paciente ou de alguém que o conheça, mostrando preocupação com seu funcionamento cognitivo. E então, com base na história (preferentemente uma entrevista estruturada) e no exame do estado mental, o clínico deve decidir se o paciente apresenta cognição normal ou demência. Se a cognição estiver alterada, mas não comprometer significativamente as atividades funcionais do dia-a-dia, então os critérios de demência não são satisfeitos, e o diagnóstico mais apropriado é o de CCL;
2. a seguir, a fim de classificar o CCL, o clínico realiza uma testagem neuropsicológica abrangente, que inclua testes de memória episódica, particularmente de aprendizado de lista de palavras. O CCL pode então ser classificado em:
a) amnésico puro (CCL-a), se apenas a memória estiver comprometida, com escores abaixo do esperado para a idade do paciente;
b) amnésico, de múltiplos domínios (CCL-amd), se houver também déficits leves em outro(s) domínio(s) cognitivo(s);
c) não amnésico, de múltiplos domínios (CCL-namd);
d) não amnésico, de um único domínio (CCL-naud), manifestando-se, por exemplo, como déficit visuoespacial isolado. Como já ressaltado anteriormente, o valor desta classificação é que ela já fornece pistas etiológicas;
3. finalmente, a causa ou etiologia subjacente deve ser avaliada com testes e exames laboratoriais, de modo similar a investigação das síndromes demenciais. O consenso recomenda que, em nível primário, o clínico geral deve realizar exames para rastrear doenças sistêmicas como a anemia, hipotiroidismo, deficiências vitamínicas e fatores de risco cerebrovascular como a hipertensão arterial e diabetes (hemograma completo, TSH, B12, ácido fólico, glicose, colesterol e outros pertinentes). Se estes exames não identificam a causa, o paciente é reavalidado periodicamente e, em caso de déficits cognitivos mantidos ou progressivos, ele é encaminhado a um especialista, em nível secundário ou terciário de assistência. O especialista deve solicitar aos pacientes com queixas de memória passarem por exame físico geral e neurológico, testes neuropsicológicos abrangentes e detalhados (para determinação do subtipo de CCL) e exames laboratoriais e de neuroimagem (tomografia computadorizada –TC- ou ressonância magnética – RM- cerebral e tomografia SPECT).

O envelhecimento normal principalmente o CCL (subtipos CCL-a ou CCL-amd) mostram alterações neuropsicológicas, neuropatológicas e neuromagnéticas similares às encontradas na fase incipiente de uma demência de Alzheimer, muitas vezes constituindo uma fase prodrômica ou pré-clínica dessa doença.