Quedas

É o deslocamento não-intencional do corpo para um nível inferior a posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, determinada por circunstâncias multifatoriais comprometendo a estabilidade. Considerada um evento sentinela na vida do idoso e um marcador potencial do início de um importante declínio da função ou um sintoma de uma nova doença. Por exemplo:
– Criança: cai durante seu desenvolvimento motor normal,
– Adultos: cai durante atividades desafiadoras,
– Idoso: cai por perda funcional e um enfraquecimento no seu estado de saúde (sinal de vulnerabilidade e debilidade física).

Epidemiologia

No Brasil, 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano, sendo que a freqüência é maior entre as mulheres. Em relação a idade, a freqüência de quedas ocorre:
– entre 65 a 74 anos: freqüência de 32%;
– entre 75 a 84 anos: freqüência de 35%;
– 85 anos: a freqüência aumenta para 51%.
Idosos de 75 a 84 anos que necessitam de ajuda nas atividades de vida diária tem uma probabilidade de cair 14 vezes maior que pessoas da mesma idade independentes. Mais de 2/3 daqueles que tem uma queda cairão novamente nos 6 meses subseqüentes.

Incidência de Óbito

As quedas tem relação causal com 12% de todos óbitos na população geriátrica. São responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas com 75 anos ou mais. Constituem a 6ª causa de óbito em pacientes com mais de 65 anos.
Idosos hospitalizados em decorrência de uma queda apresentam o risco de morte no ano seguinte a hospitalização entre 15 a 50%.

Conseqüências das Quedas

Como conseqüência das quedas, o paciente pode apresentar:
– Fraturas = 5%;
– Ferimentos importantes = 5% a 10%;
– Quedas de baixo impacto e alto impacto;
– Impacto psicológico = naqueles que já caíram;
– Medo de cair naquelas que nunca caíram;
– Patologia = Fobia de quedas em idosos;
– Maior risco de lesão naqueles indivíduos que caem longe de suas residências = indivíduos mais ativos.

Fatores de Risco Intrínsecos

Alterações Fisiológicas de processo de envelhecimento que podem originar quedas, são;
– Diminuição da visão;
– Diminuição da audição;
– Distúrbios vestibulares;
– Distúrbios proprioceptivos (neuropatia periférica – patologias degenerativas da coluna cervical);
– Aumento do tempo de reação a situações de perigo;
– Distúrbios músculo-esqueléticos: degeneração articulares e fraqueza muscular;
– Sedentarismo;
– Deformidade dos pés.

Patologias Específicas

Algumas patologias podem ser consideradas responsáveis pela queda, como:

Cardiovasculares :
– Hipotensão postural;
– Crise hipertensiva;
– Arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca;
– Doença coronariana.

Neurológicas:
– Hematoma subdural;
– Demência;
– Neuropatia periférica;
– AVC e seqüela de AVC;
– Parkinsonismo;
– Labirintopatia;
– Epilepsia.

Endocrino-metabólicas:
– Hipo e hiperglicemia;
– Hipo e hipertiroidismo;
– Distúrbios hidroeletrolícos.

Miscelâmia:
– Distúrbios psiquiátricos;
– Anemia (sangramento digestivo oculto);
– Hipotermia;
– Infecções graves.

Fatores de Risco Extrínsecos

Mais de 70% das quedas ocorrem em casa sendo que as pessoas que vivem sozinhas apresentam risco maior. Alguns dos fatores ambientais que influenciam na queda são:
– Iluminação inadequada;
– Superfícies escorregadias;
– Tapetes soltos ou com dobras;
– Degraus altos ou estreitos;
– Obstáculos no caminho;
– Ausência de corrimão em corredores e banheiros;
– Prateleiras excessivamente baixas ou altas;
– Calçados inadequados e/ou patologia dos pés;
– Maus tratos;
– Roupas excessivamente compridas;
– Vias públicas mal conservadas.

Teste “Get-up and go”

Esse teste consiste em:
– O paciente sentado em uma cadeira sem braços, deverá levantar-se e caminhar 3 metros até uma parede, virar-se sem tocá-la retornar a cadeira e sentar-se novamente.

Prevenção

1. Orientar sobre o risco de quedas e suas conseqüências,
2. Avaliação geriátrica global: função cognitiva + humor + condição econômica;
3. Racionalização da prescrição e correção de doses;
4. Redução de ingestão de bebidas alcoólicas;
5. Fisioterapia e exercícios físicos;
6. Terapia Ocupacional;
7. Correção de fatores de risco ambientais.