idosos homossexuais

Cuidados especiais para Idosos Homossexuais

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Revisando revistas científicas e livros de Gerontologia na última década, verifiquei uma escassez de conhecimento publicado sobre idosos homossexuais. A homossexualidade refere-se à orientação sexual. Tema frequentemente abordado entre jovens. Mas significativamente sem respostas em relação a pessoas que cruzam a barreira dos 60 anos.

A sexualidade, independentemente da preferência, continua após os 60 anos.

Primeiramente, vamos definir Homosexualidade.

Vale ressaltar que, há algum tempo, uma pessoa “homossexual” era compreendida simplesmente como uma pessoa com atração sexual por membros do mesmo sexo. Nos dias de hoje, engloba outros comportamentos em relação à sexualidade.

Neste artigo, vamos definir como Homossexuais: Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros [LGBT], ou ainda a combinação deles, como por exemplo, transgênero gay. Considerando uma definição simplificada, homossexualismo se refere a pessoas que não são exclusivamente heterossexuais.

Com a facilidade de acesso a informações, ficou mais fácil discutir o tema. Programas de TV de alta audiência, como novelas, abordam o tema LGBT com maior naturalidade. Poucos anos atrás, homossexualismo era um tema proibido de ser discutido no horário nobre na TV.

Talvez, essa mentalidade preconceituosa relacionada a preferências sexuais seja o principal motivo de haver escassez de dados científicos sobre a homosexualidade na idade senil.

Ainda em 1982, ou seja, há apenas 35 anos, o homossexualismo era considerado um trauma. Era definido como trauma patológico do sexo oposto causado por relações traumáticas entre pais e filhos. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), da Associação Americana de Psiquiatria, classificava o homossexual como uma pessoa que sofre distúrbio de personalidade.

Finalmente, essa classificação como “transtorno mental” foi retirada da próxima edição do DSM, em 1987. Estamos na 5º edição deste manual (DSM-5) e não mais encontramos os homossexuais como doentes.

Os homossexuais que são idosos hoje, cresceram em um ambiente de discriminação. A maioria foi apontada como pecaminosa e considerada indigna de proteção constitucional. Eles eram vistos como pervertidos pela sociedade. Foram perseguidos pela igreja. Até os profissionais da saúde consideravam sua preferência sexual um transtorno mental.

Os homossexuais idosos de hoje internalizaram essas atitudes e crenças culturais negativas. Sofreram opressão e desvalorização de si mesmos. Isso afetou inquestionavelmente sua saúde mental. Em muitos casos, sua saúde física também foi afetada. Um estudo científico de 2008 (por Anderson, 2008) revelou que os idosos homossexuais eram mais propensos a viver sozinhos no ciclo final da vida. Eram 4 vezes menos propensos a pensar em ter filhos e menos propenso a pedir ajuda de familiares que heterossexuais da mesma idade. Outro estudo científico de 2004 (Grossman et al) evidenciou melhor qualidade de vida para os idosos homossexuais quando estes viviam com um parceiro. Contudo, os autores verificaram que apenas 29%, de um total de 416 homossexuais, viviam com um parceiro. Um número muito baixo comparado à amostra total.

Psicólogos, terapeutas, analistas, dentre outros profissionais, como geriatras e psiquiatras, necessitam se qualificar para atender melhor estas pessoas que já chegaram ao envelhecimento.

Pois muitas destas pessoas sofreram com a violência (física e psicológica) por viver grande parte de sua vida adulta em uma época em que o homossexualismo era visto com forte discriminação. Na maoir parte das vezes, apresentam um caso de saúde mais complexo.

Entendemos que a Felicidade é o maior bem para a saúde mental e, consequentemente, a saúde física. E a Felicidade é atingida, primeiramente, com a aceitação de si mesmo. Aceitar-se como é. Olhar-se no espelho e se reconhecer como um ser humano. Assumir que viver para uma auto-satisfação plena e, essa satisfação plena, independe da opinião do outro.

Ainda vivemos em uma sociedade bastante preconceituosa. Vale ressaltar que o homossexualismo não é considerado mais aberração para profissionais da saúde. Mas sim uma condição de vida humana. Mas, para cuidar de um idoso homossexual, devemos sempre ter em mente que esta pessoa, muito provavelmente, tem traumas psicológicos a serem tratados.

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