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Saúde

Slow Medicine: A “Medicina Sem Pressa” na Atenção ao Idoso

Juliana Martinelli
Última atualização 3 de outubro de 2019 18:12
Por Juliana Martinelli
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4 Min
Slow Medicine
Slow Medicine é a Medicina sem pressa.
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A Slow Medicine, que em português foi traduzido como “Medicina sem pressa”, teve sua origem na Itália e tem uma filosofia baseada em 10 princípios: 

Contents
  • Fundamentada na medicina tradicional, a Slow Medicine é mais perceptiva às alternativas. Num momento em que vivemos uma abundância tecnológica, com ênfase em procedimentos, exames e na medicalização, com atendimentos médicos “robotizados” e sem empatia, a Slow Medicine veio para restituir o foco na clínica e na relação humana médico-paciente.
  • Em suma, a “Medicina Sem Pressa” é um conjunto de práticas e valores que visam um atendimento mais gentil e humanístico. Tem como objetivo não só a promoção de saúde, mas também a melhora da qualidade de vida e o conforto através de uma melhor qualidade de cuidados prestados.

1- Tempo

2- Individualização

3- Autocuidado e autonomia

4- Conceito positivo de saúde

5- Prevenção

6- Qualidade de vida

7- Medicina integrativa

8- Segurança em primeiro lugar

9- Paixão e compaixão

10- Uso parcimonioso de tecnologia

Fundamentada na medicina tradicional, a Slow Medicine é mais perceptiva às alternativas. Num momento em que vivemos uma abundância tecnológica, com ênfase em procedimentos, exames e na medicalização, com atendimentos médicos “robotizados” e sem empatia, a Slow Medicine veio para restituir o foco na clínica e na relação humana médico-paciente.

É uma filosofia que pode ser aplicada à qualquer especialidade, mas é especialmente importante no cuidado ao idoso.

O idoso geralmente necessita de mais tempo para se expressar e tomar decisões e frequentemente tem múltiplas queixas. O médico precisa de tempo para ouvir, entender, interagir e explicar. Tempo para ouvir é um de seus pilares. A consulta geriátrica é complexa e detalhada, necessitando de atenção não só aos aspectos físicos, mas também emocionais, familiares, sociais e até espirituais, que podem estar conectados. Conhecendo o paciente na sua totalidade e unicidade, fica mais fácil fazer intervenções direcionadas e baseadas mais na clínica que nos exames. Tecnologias e procedimentos são importantes ferramentas se usadas com parcimônia. Seu uso inescrupuloso pode muitas vezes trazer mais sofrimento que alívio. 

A abordagem multiprofissional do paciente geriátrico também possibilita uma ampliação do arsenal terapêutico e uma maior compreensão do indivíduo de vários ângulos. O cuidado deve ser dado não só ao paciente em si, mas para a família e os cuidadores, que participam desse processo do envelhecimento, que é natural e prolongado. A medicina tradicional intervencionista pode ser muito efetiva em tratamentos de urgência. Mas no atendimento a longo prazo, pode levar a medicalização e procedimentos excessivos. Isso faz com que o idoso carregue um fardo de exames, remédios e regimes médicos exaustivos. E no fim, termine sua vida longe da família, cercado de aparelhos, invadido por sondas e agulhas.

A individualização do cuidado é essencial. O envelhecimento é um processo progressivo e não é igual para todos. Portanto, é preciso apoio e compreensão para aceitar nossas novas limitações. O que precisa e o que não precisa ser tratado. O que traz comprovadamente benefício e o que são medicamentos “promissores”, sem eficácia claramente estabelecida, que só vai contribuir para a polifarmácia, levando a maiores efeitos adversos e maiores custos. Deve-se ponderar entre medidas conservadoras ou optar pelos procedimentos, quando esses trouxerem benefícios. O processo de tomada de decisões deve levar em conta as singularidades de cada um e deve ser feito entre o médico, o paciente e a família. Finalmente, o cuidado deve ser feito por profissionais atualizados e com experiência clínica. Ou seja, que façam diagnósticos precisos, para poderem trazer as opções mais modernas e comprovadamente efetivas. Mas, quando essas não forem possíveis ou desejadas, as alternativas.

Em suma, a “Medicina Sem Pressa” é um conjunto de práticas e valores que visam um atendimento mais gentil e humanístico. Tem como objetivo não só a promoção de saúde, mas também a melhora da qualidade de vida e o conforto através de uma melhor qualidade de cuidados prestados.

A Autora:

Carolina Capovilla Monferrari é Médica Reumatologista (CRM 113000) formada pela USP, com residência em Reumatologia pela UNICAMP e Pós-Graduação em Geriatria e Gerontologia pela FMJ. Atende em Jundiaí na clínica Tertulia (11 3964 5888/ 11 93090 5888, contato@clinicatertulia.com.br).

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TAGGED:clínicadiagnóstico clínicoequipe multifuncionalGeriatriamedicina sem pressa
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2 Comentários 2 Comentários
  • Camila Piovesan disse:
    12 de outubro de 2019 às 23:47

    Boa noite,

    Adorei o artigo de vocês, parabéns! Muito interessante e esclarecedor, assim como o restante do blog.
    Agradeço a preocupação em postar informações úteis, principalmente para quem tem alguém que já está na “melhor idade”, como a minha mãe.

    Responder
  • Francis Sierra Hussein disse:
    19 de fevereiro de 2020 às 19:53

    Como moradora nova na cidade de Jundiaí, fiquei muito satisfeita em saber que como idosa posso contar com serviços especializados em idosos. Já fiz as necessárias anotações. E como trabalhei na biblioteca da FM/USP e FSP/USP já tinha lido alguns artigos sobre a Slow Medicine (Medicina sem pressa). Sem dúvida, o mundo está ficando velho, e nós estamos nele. A medicina progrediu muito, mas isso trouxe também algumas desvantagens, financeiras, já que as novas tecnologias são caras e consequentemente os preços dos exames tem que acabar acompanhando. O governo deveria oferecer através do SUS todos os exames, não sei se o está fazendo. Mas parabéns à todos do Portal do Idoso.

    Responder

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