SPCD

Entendendo SPCD – Sintomas Psicológicos e Comportamentais da Demência

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Os SPCD – Sintomas Psicológicos e Comportamentais da Demência (BPSD, em inglês) são reações psicológicas e comportamentais vivenciadas por indivíduos portadores de demência. Apatia, depressão, agitação, ansiedade, insônia, comportamentos motores aberrantes e delírios são alguns exemplos.

 A grande maioria (alguns autores citam 80%) dos portadores de demência manifestará algum SPCD.

Mas, isso não necessariamente está relacionado à gravidade da doença. No entanto, quanto mais importantes e frequentes são os SPCD, maiores são as chances de desfechos negativos ao paciente. Dentre eles: institucionalização (o paciente passa a morar em uma instituição de longa permanência ao invés do próprio lar), prescrição de psicotrópicos e poli-farmácia, quedas e estresse do cuidador.

Portanto, o entendimento desses sintomas é de extrema importância. Atenção a esta palavra: “entendimento”.

A complexidade das reações psicológicas e comportamentais de um paciente com demência vai muito além de um rótulo “SPCD” com a simples resolução após doses de anti psicóticos. Devemos entender qual a origem dessas reações. 

É sabido que o próprio processo neurodegenerativo das demências facilita o desenvolvimento desses sintomas. Isso porque os pacientes portadores de demências não têm a mesma habilidade que pessoas saudáveis em lidar com frustrações e medo, entre outras emoções, geradas em situações cotidianas. Os circuitos neurológicos são mais escassos e isso por si só pode se manifestar comportamentos considerados anormais. 

Logo, há uma questão biológica, mas também questões ambientais e sociais que podem iniciar SPCD.

Por exemplo, a agitação de um paciente portador de demência de Alzheimer pode ter origem na inabilidade que essas pessoas tem em se lembrar de locais onde guardam objetos pessoais. Ao perder um objeto pessoal, o paciente pode achar que está sendo roubado ou enganado. Isso irá gerar agitação e sintomas psicóticos. Bem como a percepção do esquecimento, ainda que breve, pode gerar sintomas depressivos. 

No exemplo acima, o simples fato de um cuidador dar orientações corretas ao paciente sobre a localização de seus pertences pode tornar desnecessária a prescrição de medicamentos calmantes, por exemplo.

Um outro caso corriqueiro é a agitação interpretada por funcionários de instituições de longa permanência (ILP) de um paciente que não quer permanecer sentado por muito tempo. Esta pessoa, antes de morar em uma ILP tinha o hábito de fazer caminhadas e não se sente confortável em permanecer longos períodos sentados. Um cuidador que se proponha a andar com esse paciente, além de melhorar a qualidade de vida do mesmo, o poupará de medicações com potenciais efeitos adversos. Basta pensarmos em nós mesmos. Gostaríamos de permanecer sentados horas a fio em um ambiente que não é nossa casa?

Na abordagem desses pacientes, devemos entender a necessidade da pessoa por trás daquela reação entendida por terceiros como inapropriada. Não basta interpretá-las como manifestação da doença. Mas sim reação do portador de uma doença e um provável pedido de ajudo.

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