AIDS na terceira idade

AIDS em Idosos: os Números São Alarmantes. Proteja-se.

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A AIDS é uma doença sexualmente transmissível (DST) sem cura. O vírus HIV infecta as células do sistema imunológico, principalmente as CD4. Desta maneira, reduz muito a imunidade do paciente. Mas, com os avanços da ciência, os portadores do vírus HIV conseguem viver com relativamente boa qualidade de vida por muitos anos.

O diagnóstico precoce de AIDS em idosos é fundamental. Pois, idosos apresentam uma evolução mais rápida da doença e maior risco de progressão. Assim, quantidade de células CD4 cae mais rapidamente a níveis inferiores. E ocorre a diminuição da imunidade celular e humoral com menor ativação de células T e produção de anticorpos.

Para pensarmos o quão grave é esse tema, uma pesquisa no estado de São Paulo de 1980 a 30 de junho de 2009 mostrou que dos 166.003 casos de AIDS notificados no Sistema Nacional de Agravos de Notificação 704 tinham 60 anos. A taxa de incidência de 2007 foi de 5.12 casos para cada 100 mil habitantes. A proporção de AIDS em idosos aumentou de 1,9% em 1998 para 4% do total de casos notificados em 2007.

Com relação à exposição:

  • Entre 2508 casos notificados em homens com 60 anos.
  • A transmissão heterossexual foi a mais frequente (42%), seguidos de homo e bissexuais (21,7%).
  • Entre 1.196 mulheres, na mesma faixa etária, 74,7% eram heterossexuais.
  • 24% permaneceram na categoria de exposição ignorada.

Num trabalho de revisão sistemática, grande parte da literatura sobre o tema concentra informações acerca do HIV/AIDS e apenas 23% dos artigos tratam de outras doenças sexualmente transmissíveis. A maior parte das informações disponíveis provem de estudos em populações específicas, sendo observado uma carência de estudos multicêntricos.

Dados epidemiológicos, em recentes publicações sobre DST, evidenciam um aumento global dos DST e AIDS nos idosos de diversos países.

Na Austrália, os casos de Clamídia dobraram entre 2004 e 2010. Além de mostrarem tendência no aumento dos casos de gonorreia. Nos EUA estudos apontam aumento de 43% na taxa de sífilis e clamídia além de outras DSTs como herpes vírus e papiloma vírus humano. Dados dos Centros de Controle de Doenças nos EUA indicam que indivíduos com 65 anos ou mais apresentam menos que 1% de DST, incluindo clamídia, gonorreia e sífilis.

No Brasil, a  OMS aponta que há aproximadamente 937 mil novas infecções de sífilis, 1,5 milhão de casos de gonorreia e quase 2 milhões de casos de clamídia por ano. Entretanto, dados mais precisos sobre o índice de transmissão de DST, especificadamente na população acima de 50 anos, são escassos. Taxas de clamídia aumentam em 52%, gonorreia em 75% e sífilis em 64% em indivíduos com mais de 65 anos entre 2010 e 2014. Aproximadamente 21% dos diagnósticos de HIV infectados em 2013 acometeu indivíduos com 50 anos e mais. E aproximadamente 27% de AIDS diagnosticados em 2013 eram indivíduos com 50 anos e mais.

Portanto, é necessária a inclusão de discussões sobre sexualidade dos idosos nas políticas públicas de prevenção à AIDS e outras DSTs. Também é urgente treinar os profissionais de saúde sobre a sexualidade de idosos. Portanto, incluir em UBS, que deveriam pensar em programas que incentivam e ensinem os idosos a manusear os preservativos. Outro ponto importante seria aumentar a oferta de testagem para as sorologias (hepatites B e C, sífilis e HIV). Estimular ginecologistas a solicitar coleta de papanicolau entre idosas. Principalmente, trabalhar com produção de material informativo específico para idosos.

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