O Paradoxo da Obesidade

O Paradoxo da Obesidade na Terceira Idade.

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Já é bem documentada na literatura médica a relação entre obesidade e aumento de risco de doenças cardiovasculares. Bem como aumento de mortalidade em geral. Porém, estudando a população de mais idade, percebe-se o contrário.

Através de estudos observacionais, vê-se que idosos classificados em sobrepeso ou obesidade possuem menor risco de mortalidade em geral e cardiovascular. É o chamado Paradoxo da Obesidade.

Mas, porque isso acontece? Começamos entendendo o que é o IMC. O índice de Massa Corporal (IMC) leva em conta peso e estatura e é o valor usado para definição de sobrepeso e obesidade.

Ocorre que o IMC em idosos perde a acurácia para definir a quantidade de gordura que um indivíduo possui. Alterações próprias do envelhecimento fazem com que haja redução da gordura subcutânea e aumento da gordura visceral, hepática e intra muscular. Além disso, a redução da estatura, comumente observada em idosos, superestima o valor do IMC. Soma-se ainda alterações na quantidade corporal total de água e de gordura, alterações normais do envelhecimento. 

Além da estimativa inapropriada do IMC, outro fator que pode explicar esse paradoxo da obesidade é o viés de sobrevivência. Os pacientes com IMC mais elevado e com idades mais avançadas tem menor mortalidade pois os demais não tiveram sucesso em chegar a idades avançadas. Possivelmente esses sobreviventes tinham um perfil metabólico (colesterol, resistência a insulina e diabetes) melhor que os não sobreviventes com o mesmo IMC.

Outro fator a considerar são os impactos negativos de baixos IMC e perda de peso nos idosos nas análises estatísticas.

Perda de peso e baixo IMC em idosos tem relação e consequência com diversos desfechos negativos em saúde.

A perda de peso no idoso, muitas vezes não intencional, tem relação com diversos processos de doenças físicas, mentais e sociais. Portanto, idoso com IMC menor, que perde peso de maneira não intencional, vive em um ambiente menos favorável que reflete o aumento da mortalidade nesse grupo. 

Sempre que se perde peso, não se perde somente gordura, mas massa muscular também. Essa perda muscular tem um impacto muito maior em idosos, uma vez que massa muscular tem relação com equilíbrio, mobilidade, quedas e funcionalidade em geral. 

Por outro lado, observa-se que idosos obesos têm menor capacidade funcional e maior risco de institucionalização (ser internado em clínicas e instituições de idosos). O que fazer então?

Controle de peso em idosos é algo delicado. Não devemos interpretar a obesidade como saudável somente por conta da menor mortalidade. Pois, tendo em vista as consequências negativas que a obesidade ou o sobrepeso traz. Porém, devemos ter muito cuidado com perda de peso. Já que a manutenção da massa muscular é importantíssima para a saúde do idoso. 

Logo, esses pacientes obesos e idosos devem ser submetidos a mudanças de estilo de vida, adotando hábitos saudáveis. Portanto, mantemos a intenção de perder peso, mas com condutas associadas visando o ganho de capacidade muscular. Isso é alcançado através de associação entre alimentação equilibrada e a prática de atividade física resistida, por exemplo.

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