Dificuldade de Engolir

Como Perceber que Uma Pessoa Tem Problemas Para Engolir?

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Engolir é um processo complexo que envolve 6 pares de nervos cranianos, além de áreas corticais e subcorticais do cérebro e diversos grupos musculares. As alterações anormais relacionadas ao ato de engolir, dificultando este processo essencial para nossa alimentação, são chamadas de DISFAGIA. 

A disfagia é considerada como uma síndrome geriátrica pois é frequente na população idosa. A dificuldade em engolir pode ser causada por diversos fatores que, somados, levam a dificuldade na deglutição. Além disso, as consequências dessa alteração são várias e envolvem todos os domínios da saúde da pessoa idosa (social, psicológico e biológico).

Alguns exemplos dos prejuízos causados pela disfagia nos idosos:

  1. Psicológico: cerca de 50% dos pacientes com disfagia não acham comer uma atividade prazerosa. Cerca de 40% desses indivíduos desenvolvem transtornos de humor relacionados ao problema.
  2. Social: 35% das pessoas com disfagia preferem comer sem estarem acompanhadas de outras pessoas. Sabe-se que o fato de comer acompanhado e ter refeições em família é um fator extremamente benéfico na saúde do idoso. 
  3. Biológico: inúmeras consequências que são causas e consequências do processo, como desnutrição, perda de massa muscular e sarcopenia e, principalmente, pneumonias (por bronco-aspiração). 

A depender do cenário analisado, a prevalência de disfagia em indivíduos com mais de 70 anos pode variar entre 27 e 91%. Em pacientes portadores de doenças neurológicas ou musculares, a prevalência é maior. Quando analisamos idosos internados por pneumonia, a prevalência pode passar de 80%. 

Todos os idosos desenvolvem disfagia? Como detectamos o problema? Uma vez detectado, como descobrir as causas e como ajudar o paciente?

Existem alterações próprias do envelhecimento no processo de deglutição que, diferente da disfagia, não causam prejuízos na saúde do idoso. A esse conjunto de alterações, dá-se o nome de presbifagia. 

O paciente por exemplo tem menor produção de saliva, há uma dissociação entre o período oral e o período faríngeo da deglutição, menor força muscular da língua, necessária para impulsionar o alimento, entre outras.

Essas alterações, apesar de não causarem doenças ou prejuízos, traduzem uma menor reserva orgânica desses pacientes. Por isso, frente a alguns eventos estressores, não há reserva suficiente e a disfagia acaba se desenvolvendo. Por exemplo, em um paciente com presbifagia, quando internado por uma complicação médica aguda (por exemplo, um infarto ou uma infecção) pode desenvolver disfagia.

Dentre os indivíduos com presbifagia, alguns exibem mais risco que outros para desenvolver disfagia. Pacientes com síndrome de fragilidade, sarcopenia e doenças neurológicas, apresentam maior risco. Ao identificarmos um paciente com essas condições, devemos tomar todos os cuidados para preservar uma deglutição sem riscos.

COMO SUSPEITAR QUE O IDOSO TEM DISFAGIA?

Tendo em vista que a disfagia é um problema bastante preocupante na saúde do idoso e, além disso, pouco pesquisada entre os pacientes, devemos traçar algumas estratégias para identificação do problema. 

A primeira delas, como descrito acima, é a identificação dos pacientes em risco:

  • Pacientes com doenças neurológicas (demências em geral, antecedentes de AVC, doença de Parkinson, entre outras),
  • Idosos desnutridos, perda de peso sem causa aparente, baixa massa muscular,
  • Pacientes com Sarcopenia, síndrome de fragilidade, más condições odontológicas,
  • Usuários de psicotrópicos,
  • Socialmente vulneráveis.

Quando falamos em idosos internados, principalmente por condições agudas, sempre que possível, a avaliação da deglutição por um fonoaudiólogo é recomendada. 

Além disso, o reconhecimento do paciente em risco é importante. Pois, em algumas situações, o idoso cursa com algumas complicações da disfagia, como pneumonias de repetição, descompensação de doenças pulmonares e perda de peso, sem necessariamente ter manifestações clínicas da disfagia. É o caso da chamada “aspiração silenciosa”. Ou seja, a disfagia faz com que ocorra penetração de alimento nas vias aéreas, sem o paciente manifestar o reflexo da tosse.

Na história clínica dos pacientes com disfagia, nem sempre se manifesta pelo sintoma mais óbvio, o engasgo. Muitas vezes o paciente ou seus familiares podem perceber outras alterações relacionadas à disfagia como: aumento do tempo total das refeições, aumento do tempo em que o alimento permanece na cavidade oral (boca), tosse nas refeições, voz molhada após deglutição e número de deglutições necessárias para ter a sensação de que o alimento foi deglutido efetivamente.

CORREÇÕES DOS FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A DISFAGIA

Uma maneira prática de raciocinar quais os fatores que estão cooperando com a dificuldade de engolir do paciente é dividir a deglutição em três estágios: oral, faríngeo e esofágico. 

A fase oral, depende da mastigação e salivação adequada e é uma fase totalmente voluntária. Logo, adequada saúde oral, com avaliação odontológica se faz necessária. Além disso, diversos medicamentos com efeitos anti colinérgicos e frequentemente usado pelos idosos acabam por causar xerostomia. Ou seja, boca seca, dificultando a formação do bolo alimentar oral. 

Sendo a fase oral uma fase voluntária, é necessário que o paciente tenha algumas funções cognitivas preservadas o suficiente para permitir a realização do processo: função executiva e a atenção. Logo, pacientes com demência ou delirium, podem ter dificuldade neste ponto. Ademais, aqui destaca-se a importância de um ambiente adequado para a refeição. 

A fase faríngea, parte voluntária e parte involuntária, depende muito de alguns grupos musculares. Portanto, pacientes sarcopênicos e/ou desnutridos podem desenvolver disfagia. Interessante notar que a força de preensão palmar, aferida pelo dinamômetro, tem relação com a incidência de disfagia nos idosos. Além disso, doenças próprias da laringe como tumores podem ter influencia nesta fase. 

A fase esofágica, totalmente involuntária, é comprometida basicamente por doenças do próprio esôfago, sejam elas estruturais (como tumores ou estreitamentos) ou funcionais (como dismotilidades e acalasia). 

Portanto, se você sente dificuldade em engolir, ou suspeita que alguém pode estar sofrendo de Disfagia, procure um médico, dentista ou fonoaudiólogo.

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